quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Usuários de drogas são retirados da cracolândia do Parque União


Usuários de drogas são retirados da cracolândia do Parque União

RIO - A Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS), com o apoio da Polícia Militar, retirou para acolhimento 63 usuários de crack, sendo 3 adolescentes, que se concentravam no acesso à Favela Parque União, às margens da Avenida Brasil, na entrada da Ilha do Governador. Alguns drogados não quiseram deixar o local e foram retirados à força, puxados e carregados por funcionários à serviço da Prefeitura, que tiveram o cuidado de evitar violência. O grupo estava entre os tapumes das obras do BRT Trans carioca, que também foram retirados por funcionários da prefeitura para evitar que eles retornem. Muitas dessas pessoas haviam saído da cracolândia do Complexo de Manguinhos e da Favela do Jacarezinho após as comunidades serem ocupadas pela polícia.

Os adultos acolhidos foram encaminhados para o centro de triagem Rio Acolhedor, em Paciência, na Zona Oeste. Como a internação compulsória para maiores de 18 anos ainda não está valendo no município, apenas se aceitarem ser internados eles seguirão para as unidades de abrigamento da Rede de Proteção Social do município. Já os três menores serão acolhidos em centros de abrigamento próprios. Algumas horas após o término na operação, um grupo de pelo menos 25 usuários de crack já se reunia a cerca de trinta metros do local, num dos acessos ao Parque União, na altura da Avenida Brigadeiro Trompowski.

A operação começou às 7h30m, e o acolhimento foi realizado por 20 profissionais da SMAS, entre eles educadores sociais, psicólogo, além de assistentes sociais da 4ª Coordenadoria de Assistência Social (CAS) do município. Agentes do 22º BPM e da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) deram apoio à operação, a terceira promovida pela prefeitura do Rio na região, após a ocupação por forças de segurança das comunidades do Jacarezinho e do Complexo de Manguinhos.

Na semana passada, foram retiradas mais de 67 pessoas do mesmo local. Mas, em menos quatros horas, um grupo de mais de 30 já estavam de volta. Assim que os agentes da Secretaria de Assistência Social e os policiais deixaram a cracolândia, usuários começaram a retornar. No alto do viaduto da Avenida Brigadeiro Trompowski — que liga a Ilha do Governador à Avenida Brasil —, um homem com um enorme pedaço de madeira nas mãos ameaçava quem sem aproximava.
 
Anunciada na segunda-feira pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, a internação compulsória de adultos usuários de crack, divide opiniões. Há uma discussão jurídica sobre a constitucionalidade da medida, que o próprio Paes admite ser polêmica. Segundo a legislação atual, uma pessoa só pode ser internada contra a vontade caso fique provado que ela não é capaz tomar decisões. Presidente da Associação de Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), o desembargador Claudio Dell'Ort diz que a decisão tem que partir da Justiça. No entanto, o presidente da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB), Wadih Damous, disse que é a favor da internação forçada por se tratar de um problema de saúde pública. Já a presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, Vivian Fraga criticou a decisão. De acordo com ele, a ação é contrária a tudo que está escrito, conveniado e assinado dentro das políticas de saúde e assistência.
 
Para colocar o plano em prática, o prefeito disse que criará, até o fim do ano, 600 vagas para o tratamento de dependentes da droga. De acordo com Paes, caberá às secretarias de Assistência Social e de Saúde a elaboração de um projeto de criação das vagas na rede municipal. Ele afirmou que a proposta será apresentada no dia 5 de novembro, no Jacarezinho. O prefeito disse ainda que, nesta quinta-feira, pedirá apoio ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília. Para o prefeito, usuários de crack não têm condições de decidir pela internação.Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio


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Pastoral da Sobriedade Arquidiocese
 de
São Sebastião do Rio de Janeiro

Atendimento psicológico gratuito para usuários de drogas e familiares.
Rua Pedro Calazans, 55 - Engenho Novo - RJ
3ª feira / 16h as 19h
Informações e agendamentos: (21) 3064-2748

CEPDQ - Coordenadoria de Prevenção à Dependência Química
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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pastoral da Sobriedade


Pastoral da Sobriedade

Arquidiocese de S. Sebastião do Rio de Janeiro

DNJ 2012

A Pastoral da Sobriedade esteve presente no DNJ 2012 no último domingo, dia 21 de outubro, no Parque Madureira.

Agentes de diversas Paróquias fizeram plantão durante todo o encontro.
Mais de 100 pessoas visitaram o stand da Sobriedade e receberam informações sobre os riscos do uso abusivo das substâncias psicoativas.Foram distribuidos panfletos com a oração da Sobriedade, endereços dos Grupos de auto ajuda e  cartilhas sobre diversos temas. Para as crianças, foram distribuídos pirulitos, que também receberam explicações sobre o perigoso consumo de drogas.

Realizamos dezenas de Abordagem e aconselhamento psicológico.Pela graça de Deus, conseguimos encaminhar para internação um jovem que passava por Madureira viu a movimentação do nosso stand e pediu ajuda e entregou-nos o seu "cachimbo" de crack. Louvamos a Deus por esse trabalho em defesa da vida.

Congresso Nacional Da Pastoral da Sobriedade

Será realizado nos dias 26, 27 e 28 de outubro
O Congresso Nacional da Pastoral da Sobriedade na Canção Nova, em Cachoeira Paulista - SP
Com o tema: Professar a fé
Contaremos com a presença do Bispo animador nacional da Pastoral: Dom Irineu Danelon, Padre Paulo Ricardo, Pe. João Cecconelo, Dunga, Eliana Ribeiro e muito mais.
A Pastoral da Sobriedade na Arquidiocese de S. Sebastião do Rio de Janeiro está organizando a sua Caravana e ainda restam vagas.
Os interessados podem entrar em contato com a sede da pastoral pelo telefone: 3064-2748 falar com Márcia (a noite)
No pacote que custa R$150,00 já está incluída a passagem, a hospedagem com café da manhã e jantar.

 
Atendimentos psicológico


 
A partir de hoje, dia 23 de outubro, das 16h as 19h, a  Pastoral da Sobriedade disponibilizará de atendimento psicológico, mais um serviço gratuito a todas as pessoas que necessitam desse apoio. Além do grupo de auto ajuda e da arte terapia que funcionam na sede semanalmente.
Rua Pedro Calazans, 55 Engenho Novo
Telefone: 3064-2748

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domingo, 14 de outubro de 2012

Família: desencontros e resgates


Família: desencontros e resgates 
Jornal do Brasil
Roberto P. Coelho* 


Há muitas famílias que não têm noção da vida sem limites de seus filhos. Algumas acreditam que as drogas, cujo contato é inevitável (bastando apenas, em alguns casos, o cuidado para esse contato ser apenas adiado), fazem parte do amadurecimento dos jovens e que uns experimentam como se fosse um direito, está cada vez mais incorporado como parte natural da vida. O significado do que seja bem e mal está cada vez mais relativizado nos dias de hoje em nossa sociedade, e muitos pais perderam o poder de guiar e orientar seus filhos, especialmente na idade em que os mesmos não têm condições ou competência para fazê-lo com clareza e sem riscos na sua integridade.

Assistimos, então, a uma geração de pais que obedece a seus filhos e que, para não perderem o “amor” dos mesmos, não os contrariam, sem saber que com essa atitude não somente perdem o amor mas o respeito, por manifestarem tanta debilidade no exercício da autoridade que precisariam exercer. Como os filhos podem  aprender a confiar em pais que não sabem exercer o papel de pais, mas apenas se tornam amiguinhos e/ou boas praças de seus pupilos?

Sem conhecimento, sem compreensão, sem discernimento, sem firmeza, muitos pais, tão perdidos quanto seus filhos ( e para poupá-los dos riscos da violência fora de casa), dão sinal verde para que usem  e/ou compartilhem drogas como fossem parte do cardápio rotineiro da família.

Abdicaram, com isso, da capacidade de ensinar a refletir, dar orientação, se construir limites protetores, tornando-se tão violentos com a permissividade e atolados no medo de enfrentar os próprios filhos.  Há pais que cederam tanto, confundindo liberdade com irresponsabilidade, medo com amor, que deixaram a droga ocupar o lugar que a eles cabia na vida de seus filhos. Quando não temos consciência de qual o nosso lugar na construção de valores  na vida de nossos filhos, quando não conseguimos ser amorosamente atentos, amorosamente envolvidos, amorosamente interessados, quando não conseguimos construir pontes para o sentimento de pertença, no qual o jovem consegue identificar a importância de sua presença  na família, em sua comunidade e no mundo, tornamo-nos facilitadores de um vazio na comunicação que vai ser preenchido pelo ruído do não dito, não dialogado, não ouvido.
 
Confusos, magoados, perplexos, perdidos, com o menosprezo, a distância, a desonestidade dos filhos, a quem respeitaram o direito de usar o que quisessem, muitos pais se perguntam o que dizer e o que fazer agora com o descaso e o egocentrismo dos filhos. Como não podemos mudar o passado e tampouco se torna útil e proveitoso mergulhar em auto condenação sobre aquilo que não se consegue enxergar lá atrás, quando se agia como facilitadores, é necessário olhar o presente com o desejo sincero de  alterar a velha  concepção sobre a vida que vivemos. Uma mudança que começa na forma como encaramos a nós mesmos e que vai mudar a forma como nos relacionamos com os outros, especialmente os filhos. Leva tempo, dá trabalho, exige paciência, exige boa vontade, honestidade, mente aberta, fé e muito amor.

Quem não estiver disposto a dizer não na hora em que o não se faz necessário ainda não está preparado para ser pai e/ou mãe. É bom não lamentarmos os filhos que de alguma forma nos decepcionam com suas escolhas, descaminhos e destino. Podemos aprender com eles que pais se constroem, não nascem prontos, e que é sempre hora de aprender a corrigir o curso de nossa comunicação com o outro. É sempre hora de pedir e aceitar ajuda. Descobriremos, então, perplexos, mas não perdidos como antes, que há muito que fazer, viver, compreender, muito pouco tempo para lamentar.

*Roberto P. Coelho, psicólogo, é ouvidor da Coordenadoria Especial da Promoção da Política Pública de Prevenção à Dependência Química da Prefeitura do Rio

RIO NA PREVENÇÃO
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Centros de Referência da Assistência Social

 No município
No município, também existem outros centros de internação. No Rio Comprido, na Zona Norte, há um centro exclusivo para mulheres acima de 18 anos. Ao todo, são 78 vagas.
Os locais para quem quiser buscar tratamento de desintoxicação são os Centros de Referência da Assistência Social (CRAs) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAs). Outras informações pelo telefone 3973-3800.

Confira abaixo os centros de tratamento do município:

- CAPS AD Mané Garrincha - Av. Professor Manuel de Abreu, 196 - Maracanã

- CAPS AD Raul Seixas - Rua Dois de Fevereiro, 785 - Encantado

- CAPSi Maria Clara Machado - Rua Gomes Serpa, 49 - Piedade

- CAPSi Eliza Santos - Rua Sampaio Corrêa, s/n -Taquara

- CAPSi Pequeno Hans - Rua Dirceu, 42 Fundos - Sulacap

- CAPSi João de Barro - Rua Aricuri, 267, Jardim Luz - Campo Grande

Quem tiver dúvidas pode ligar para o telessaúde, no número 3523-4025.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Veja efeitos do álcool em fetos no momento em que gestantes ingerem a droga


Veja efeitos do álcool em fetos no momento em que gestantes ingerem a droga


Fala embolada, andar cambaleante e dificuldade de raciocínio. O comportamento de quem exagerou na bebida alcóolica é conhecido, notório. Mas o que acontece com um bebê em formação no exato momento do exagero etílico de uma gestante? “Durante toda a gravidez, a placenta é um meio que difunde muito bem o álcool do sangue da mãe para o organismo do feto. Mesmo a menor quantidade é trocada entre eles”, alerta o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria José Hugo de Lins Pessoa. Munidos não só dessa informação, mas de todos os sabidos efeitos prejudiciais do álcool no organismo, pesquisadores da Universidade Queen’s de Belfast, no Reino Unido, buscaram responder à perturbadora pergunta.
Quase 80 voluntárias foram divididas pelos cientistas de acordo com o padrão de consumo de álcool durante a gravidez (veja arte). Uma distinção muito clara entre as gestantes pôde ser observada. Quanto maior o consumo, seja ele de forma constante (quase diariamente) ou compulsiva (de uma vez só), mais lento era o processamento de informações no cérebro dos filhos em formação. Para compreender como o álcool poderia afetar o comportamento neural dos bebês, os cientistas se apropriaram de uma simples avaliação capaz testar a habilidade de adaptação cognitiva: a habituação.

Essa é uma característica bastante primária dos seres humanos e animais de se adaptarem a estímulos benignos e não mais responderem a eles. No momento em que um ventilador é ligado em uma sala, por exemplo, os presentes se sentem extremamente incomodados com o barulho. Porém, alguns minutos depois, é possível que nem percebam mais o alto som de rotação das pás pois se habituam ao estímulo repetitivo. “No período fetal, conseguimos observar os efeitos no exato momento em que a mãe está realmente ingerindo o álcool e esse, por sua vez, está exercendo o seu efeito sobre o feto”, afirma o principal autor do estudo, Peter Hepper. Fonte: Correio Braziliense

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Centros de Referência da Assistência Social

Centra Rio - destina-se a adolescentes, jovens e adultos dependentes químicos e familiares de dependentes. Local: Rua Dona Mariana, 151 – Botafogo – Rio de Janeiro Telefones: 2334-8107 / 2334-8108

Secretaria municipal de Assistência Social - para saber sobre os centros de atendimentos, o interessado deve ligar para a Ouvidoria – telefone (21) 3973-3800 –, que tem horário de atendimento das 9h às 18h

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Atende crianças e adolescentes - Local: Rua Jansem de Melo 174 - Universidade Federal Fluminense (UFF)Telefone: (21) 2629-9605 – atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h


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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Protógenes desiste de suspender filme 'Ted' por suposta apologia às drogas


Protógenes desiste de suspender filme 'Ted' por suposta apologia às drogas
Brasília -  O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) desistiu de pedir a proibição do filme "Ted", que estreou na semana passada nos cinemas do país e mostra um ursinho viciado em drogas. O político optou por apenas solicitar ao Ministério da Justiça que mude a classificação etária de 16 anos para 18 anos.

Depois de assistir ao filme com o filho Juan, de 11 anos, Protógenes se disse "indignado" e "revoltado". Para o deputado, a sinopse precisa retratar o conteúdo e alertar que o ursinho é viciado em drogas.
"Ted" é uma comédia que mostra a amizade entre um homem e seu urso de pelúcia da infância à idade adulta. Queiroz diz que sempre vai com o filho assistir filmes de 16 anos, por ele ser pré-adolescente.O DIA ONLINE


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Confira abaixo onde ficam os centros de tratamento para dependentes químicos no município e no estado do Rio:

No município

No município, também existem outros centros de internação. No Rio Comprido, na Zona Norte, há um centro exclusivo para mulheres acima de 18 anos. Ao todo, são 78 vagas.
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terça-feira, 25 de setembro de 2012

“Prevenir, acolher, recuperar para a vida: eis a nossa missão”


     
No início de setembro, o Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (INPAD), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), divulgou que o Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína. A questão das drogas, sobretudo entre os jovens, vem mobilizando há tempos os diversos setores da Igreja no Rio de Janeiro, mas ganha um olhar especial neste período que antecede a Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013), já que a peregrinação deixará um legado social para a cidade.

No último dia 18 de setembro, durante a reunião semanal do governo diocesano, no Edifício João Paulo II, na Glória, o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, os bispos auxiliares e os vigários episcopais participaram da apresentação do “Relatório de pesquisa de campo sobre jovens em situação de rua vulneráveis às drogas ilegais”, de autoria do professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Dário de Sousa e Silva Filho, realizada nos bairros de Cascadura e Madureira, no mês de julho, com o apoio da empresa Wilson, Sons.

Com o objetivo de subsidiar a implementação do projeto “Passaporte da Cidadania” e coletar informações úteis à intervenção, através de entrevistas com jovens de até 24 anos de idade usuários e também não usuários de crack e drogas, a pesquisa mostrou que os entrevistados sustentam que de maneira implícita o Estado aprendeu a lidar com o desvio da norma da forma politicamente mais segura para os governantes: disciplinando os espaços e horários em que o consumo de drogas ocorre.

O Vigário Episcopal para a Caridade Social, Cônego Manuel Manangão, destacou que a pesquisa foi realizada em algumas cracolândias, com o objetivo de tentar encontrar o perfil das pessoas que estão vivendo hoje em dia às margens dessa realidade, buscando perceber quais são as suas dinâmicas de vida, de que maneira elas se sustentam, como estão vivendo e quais são as perspectivas que elas têm para o futuro. Na verdade, tentar encontrar os caminhos que os cristãos, numa ação de Igreja, podem tomar diante dessa situação.

 — Na medida em que nós formos nos aproximando dessas pessoas e oferecermos a elas um outro caminho, a dignidade da pessoa humana certamente vai despontar. Todos aqueles que foram entrevistados têm um certo respeito e reconhecem a presença e o valor da religiosidade.

A sensação que me dá é que quando qualquer instituição, do ponto de vista religioso, se aproxima desses jovens, eles ouvem com mais facilidade. A minha leitura pelo que o pesquisador levantou é uma abertura mais “descontraída”, pois eles se colocam mais à vontade para falar dos seus anseios, das suas angústias, dos motivos que os levaram a viver aquela experiência e, ao mesmo tempo, colocam algumas questões críticas no que diz respeito aos órgãos públicos.

Dois fatos de grande importância para a Igreja, e que precisam ser observados com muito cuidado, é a existência de uma geração muito jovem que já tem filhos e a denúncia dos entrevistados com relação à assimilação da realidade do poder público como uma identificação de violência, no sentido de não oferecer caminhos alternativos para uma nova vida.

— Antigamente havia pessoas que iam para o mundo das drogas e perdiam a relação com os pais, e o estudo atual mostra que o medo, hoje em dia, é o de perder a relação com os filhos, tendo em vista que muitos desses jovens já são pais. Eles não quererem perder essa relação de proximidade com os filhos, o que normalmente acontece por conta das drogas. Eles falaram muito da presença do poder público, mais no sentido de violência, e uma coisa que, de certa maneira é uma denúncia bastante forte, é a questão da presença das drogas em muitas das instituições que teriam a missão de trabalhar na prevenção desse uso. Abrigos e locais de tratamento são citados como locais onde a facilidade de conseguir a droga se faz presente e, por isso, muitos deles permanecem lá por conta dessas facilidades, revelou Cônego Manangão.

O Cônego destacou ainda que, após a apresentação da pesquisa, o governo diocesano começou a fortalecer ainda mais a ideia de que o primeiro passo a ser dado é ir ao encontro desses usuários de drogas, tentando escutar o que eles têm a dizer e, a partir daí, descobrir, dentro da realidade da fé católica, tudo aquilo que diz respeito ao sentido, à valorização e à dignidade da pessoa, como forma de apresentar para eles uma nova vida, um novo jeito de viver.

— É interessante observar na pesquisa que eles sempre se colocavam numa perspectiva de não querer permanecer nesta realidade. Na maioria daqueles que foram entrevistados havia um sonho: o desejo de não permanecer dentro desse mundo, enfatizou.
Cônego Manangão falou sobre os passos a serem dados com os levantamentos obtidos pela pesquisa.

— Durante a reunião com o governo diocesano destaquei que as regiões onde existem as cracolândias são territórios paroquiais com Capelas e Igrejas e que precisamos dar maior visibilidade aos trabalhos que já estão sendo realizados. (...) Não tem como resolver esse problema se olharmos apenas um aspecto. Teremos que olhar o aspecto da família, da dependência química, da legislação que envolve toda essa realidade do menor e do adolescente em situação de risco, entre outras questões. Enquanto Igreja, nós temos, naturalmente, uma grande capilaridade, não só pelas pastorais que vão atender as várias nuances da realidade da vida, seja religiosa ou social, mas também porque percebemos que o trabalho é feito numa rede mais ampla, que não envolve só a rede católica, mas outros setores e organismos da sociedade, inclusive, os próprios meios políticos de uma prevenção de saúde pública e todas as questões ligadas às diversas secretarias, afirmou o Vigário Episcopal para a Caridade Social.

"Precisamos ser, para eles, farol da esperança. Este será o nosso desafio e o nosso legado"
Em 1955 o Rio de Janeiro sediou o XXXVI Congresso Eucarístico Internacional. Dom Helder Camara, pensando no que poderia ser deixado de legado para o Rio, teve a ideia de criar um organismo que pudesse ser o apoio para tantos abandonados da cidade. Nasceu o conhecido Banco da Providência, que há 50 anos vem sendo lugar de atendimento para os mais pobres. Entre os dias 23 e 28 de julho do próximo ano, o Rio de Janeiro realizará mais um evento de grandes proporções, que congregará milhões de jovens: a Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013).


Preocupados com o risco permanente do mundo das drogas – no que diz respeito ao consumo e ao tráfico –, que vem atacando o coração da juventude brasileira, e atenta à pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (INPAD) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) — que apontou ainda que o Brasil representa 20% do consumo mundial do crack e que a cocaína fumada (crack e oxi) já foi usada pelo menos uma vez por 2,6 milhões de brasileiros, sendo 150 mil adolescentes — a Igreja no Rio de Janeiro, assim como em 1955 após o XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, quer deixar um legado social para a Cidade Maravilhosa.

De acordo com o Diretor Executivo do Setor Legado Social da JMJ Rio2013, Cônego Manuel Manangão, a proposta desta herança que a Jornada Mundial da Juventude pretende deixar abrangerá três dimensões:

— Na execução do trabalho, além dos educadores, que são pessoas treinadas para lidar com essa realidade da juventude ou da população de rua, teremos que ter também o apoio de centros onde haja médicos, psicólogos e psiquiatras que dêem um amparo, e ai é que eu digo que, por conta da JMJ Rio2013, nós teremos a possibilidade de dar uma maior visibilidade a essa situação. Primeiro, realizando um trabalho de prevenção, atuando em todos os ambientes; segundo, com uma rede de entidades, envolvendo as organizações da sociedade civil, que possam ser facilmente acessadas como apoio aos que se envolvem no uso de drogas e seus familiares; e, terceiro, com o fortalecimento e/ou criação de centros que possam acolher aqueles que precisarem de imediato atendimento. (...) Nesta perspectiva, teremos a família, a Pastoral da Juventude, a Catequese... Todos envolvidos nesse processo, tentando evitar que o jovem chegue à situação de dependência, explicou.


Segundo o Documento de Aparecida, “o problema da droga é como mancha de óleo que invade tudo. Não reconhece fronteiras, nem geográficas, nem humanas. Ataca igualmente países ricos e pobres, crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. A Igreja não pode permanecer indiferente diante desse flagelo que está destruindo a humanidade, especialmente as novas gerações” (DA nº 422).

 — Diante da vida de tantos jovens que vão conhecendo a experiência do sofrimento, da solidão, do abandono, queremos ser a voz consoladora de Cristo para eles. Precisamos ser o Cirineu, que ajuda a suportar o peso da cruz de cada dia. Queremos ser o bom samaritano, que se aproxima e se coloca disponível para ajudar a encontrar O sentido da vida. Prevenir, acolher, recuperar para a vida: eis a nossa missão. A sociedade necessita do testemunho dos que, iluminados pela Palavra do Senhor, tornam-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Precisamos ser para eles, jovens e familiares, farol da esperança. Este será o nosso desafio e o nosso legado. Mãos à obra, concluiu Cônego Manangão.Ilustração do blog.Tadeu Araújo
Agência Brasil * Colaboração: Marcylene Capper  Rádio Catedral Raphael Freire

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